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Lu Lacerda

Por Lu Lacerda Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Jornalista apaixonada pelo Rio

Vendedor de sinal: transformando confiança em modelo de negócio  

O vendedor de bala da esquina pode estar dando aula de marketing comportamental e sem cobrar consultoria

Por Daniela 17 jul 2026, 15h00 | Atualizado em 17 jul 2026, 15h58
Em um carro, uma embalagem de Mentos Fruit Mix com 9 unidades e aviso Alto em Açúcar Adicionado ao lado de um papel com anotações e controles do veículo, incluindo o seletor de marcha giratório com a letra P e botões do freio de estacionamento e auto hold
O vendedor entregou um papelzinho com seu Pix e confiou no "cliente"  (./Reprodução)
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Mão segurando um pedaço de papel branco com o nome CRISTIANE e CHAVE PIX em letras pretas. Abaixo, um número de telefone com o DDD (21) e parte do restante, que está borrado por uma tarja branca. O fundo é cinza escuro e desfocado
Aqui, caso da amiga da coluna (riscamos o celular por precaução) (./Reprodução)

O modelo “vendedor de bala no sinal via Pix” vem revolucionando o comércio de rua, tem uns que colam QR Code nos pacotes, outros entregam a chave Pix e há quem aposte no “Pix da confiança”: você leva o produto e faz a transferência quando puder.

Foi isso que aconteceu com amiga da coluna, afinal, andar com dinheiro vivo na carteira virou peça de museu. No primeiro retorno depois da Cidade das Artes, sentido Recreio, na altura do condomínio Mandala, na Barra, um vendedor tem um plano B e quando alguém diz que está sem trocado, ele entrega um papelzinho com o nome da mulher (segundo diz), agradece e pede, com toda a educação, um Pix para ajudar a família.

O carioca Renan Lima, fundador da empresa de tecnologia Ultraqualify.tech, também tem um caso parecido. “O vendedor de balas me ofereceu uma, mas o sinal abriu e não tive tempo. Ele respondeu: ‘Leva. Depois você paga’. E me entregou um papel com o Pix. Guardei no carro e, três dias depois, me lembrei. Mandei R$ 10 e escrevi: ‘Desculpa a demora’. Mas qual risco esse vendedor corre? De alguém pegar e não pagar ou de alguém pagar muito mais do que ela vale, só pela confiança? Porque, no fundo, foi isso que aconteceu.”

Teve gente que foi longe comparando a ideia a um pensamento de Nietzsche, principalmente no livro “A Genealogia da Moral”, em que o filósofo defendia que a civilização também se constrói quando aprendemos a sentir uma dívida moral, e não apenas financeira. Quando alguém confia primeiro, cria uma espécie de dívida invisível. Alguns ignoram. Outros retribuem.

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“O vendedor entende uma coisa que muita empresa ainda não entendeu: confiança antecipada é uma das formas mais poderosas de gerar valor. Ele estava apostando na consciência das pessoas e, às vezes, ganhando mais do que imaginava”, concluiu Renan.

Fato é que o vendedor de bala da esquina pode estar dando aula de marketing comportamental e sem cobrar consultoria.

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