Rio terá partidas oficiais de futebol americano a partir de 2026

Presença do esporte na cidade vira peça fundamental no projeto de posicionamento global

Por Pedro Coutinho 21 nov 2025, 06h12
Football teams on line of scrimmage in stadium
Futebol americano: Rio receberá entre três e cinco jogos da modalidade estadunidense nos próximos cinco anos (Thomas Barwick/gettyimages/Divulgação)
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À primeira vista, o futebol americano e o Brasil não têm nada a ver, mas os números mostram o contrário: são 36 milhões de torcedores por aqui, o que faz do país o terceiro maior público internacional do esporte, atrás apenas do México.

Não à toa, São Paulo virou parada anual da National Football League (NFL), a principal liga da modalidade.

E o próximo destino será o Maracanã, com capacidade para receber cerca de 20 000 torcedores a mais que os 47 627 que compareceram à partida entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers na Neo Química Arena, em setembro. “O Brasil é um lugar especial no mundo, e o Rio de Janeiro é incrível. Estou ansioso para ver o estádio lotado”, enaltece Luis Martínez, diretor da NFL Brasil.

Nos próximos cinco anos, o Rio receberá entre três e cinco jogos da modalidade estadunidense ó o objetivo da prefeitura é ter uma por ano. “Começamos a costurar a parceria em fevereiro, no Super Bowl, em Nova Orleans. Eu e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere tivemos ótimas conversas com a diretoria da NFL, que percebeu que a coisa era séria”, relembra o secretário municipal de Esportes, Guilherme Schleder, acrescentando que a liga americana capacitou 62 professores das vilas olímpicas para ensinar flag football, a versão de menos contato do futebol americano que foi inserida nos jogos de Los Angeles 2028.

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A paixão dos cariocas pelo esporte americano pode parecer recente, mas há mais de uma década o empresário Patrick Dutton, na época com 23 anos, já vislumbrava o potencial público.

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Ao voltar de uma temporada em Nova York, ele fundou a Rio Football Academy, na Barra, em 2013. “No início, os alunos chegavam principalmente pelo boca a boca. Hoje, existe uma procura, mesmo que a maioria dos interessados nunca tenha vestido uma ombreira”, explica Dutton.

O Vasco Almirante, que mescla atletas profissionais e amadores, nasceu da união entre o Botafogo Reptiles e o Vasco da Gama Patriotas, e vai jogar o campeonato brasileiro da modalidade, que conta com 83 times.

O fenômeno levou o Maraca Sport Bar, no Vogue Square, a exibir partidas nos telões, com ampla divulgação nas redes “O movimento aumentou após o primeiro jogo em São Paulo. Consegui o contato de um jogador do Vasco Almirante, liguei para ele e fizemos um evento. A casa lotou, parecia final de Libertadores”, celebra o proprietário, Alexandre Curado.

Visionário: o empresário Patrick Dutton viu o movimento na escolinha Rio Football Academy aumentar nos últimos anos
Visionário: o empresário Patrick Dutton viu o movimento na escolinha Rio Football Academy aumentar nos últimos anos (./Arquivo pessoal)
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Torcedor carioca do New England Patriots, o estudante de jornalismo Bernardo Cotta, 23, assistiu ao embate em São Paulo e já anseia pela festa no Maraca, ainda sem data. “Herdei esse amor do meu pai e vou fazer de tudo para conseguir um ingresso”, confessa.

Um acordo de distribuição firmado pela TV Globo promete fazer com que o público do sofá também cresça. A emissora vai se juntar a ESPN, Disney+, Rede TV! e Cazé TV na exibição das partidas. “Um fator importante para a popularidade de um esporte é a associação com os meios de comunicação, que promovem uma certa pedagogização e estimulam o hábito”, reflete a professora de comunicação social e pesquisadora da Uerj Leda Maria Costa.

Se por um lado os jogos na cidade incentivam a procura pelo esporte, por outro as partidas também posicionam o Rio globalmente. “O mundo inteiro vai olhar para a cidade, não apenas pela beleza e hospitalidade, mas pela capacidade de sediar um evento de padrão internacional”, diz o presidente da Riotur, Bernardo Fellows. “O estado já recebeu torneios mundiais de surfe e o Ironman, além da Maratona do Rio e do Rio Open.

Não tenho dúvidas de que o futebol americano vai se consolidar como um grande atrativo”, afirma o subsecretário estadual de Esporte e Lazer, Rodrigo Scorzelli, que promete não poupar esforços para reinserir as corridas de Fórmula-1 no calendário local. Quanto mais iniciativa, melhor.

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Olho no lance
Informações básicas para começar a assistir

Objetivo do jogo: levar a bola até o final do campo e marcar mais pontos que o adversário na chamada end zone.

Times: cada equipe tem onze jogadores em campo. O time com a posse de bola entra com os atacantes, enquanto o adversário prepara a divisão de defesa.

Touchdown: quando um jogador chega à end zone com a bola.

Down: a cada 10 jardas conquistadas, o time com a posse de bola ganha mais quatro tentativas para seguir avançando. Caso não consiga, a posse de bola vai para o rival.

Perda de bola: se um erro acontece ou a defesa rouba a bola, a posse passa para o adversário.

Pontuação: O touchdown vale seis pontos; chute entre as traves confere três; enquanto a defesa pode surpreender com 2 pontos.

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Chiefs Chargers Football
Paixão palpitante: o Brasil tem o terceiro maior público da modalidade no mundo (NFL International/Divulgação)
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