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Rafael Mattoso

Por Rafael Mattoso, historiador Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Curiosidades sobre o subúrbio carioca

Por mais Cartografias poéticas suburbanas

A escrevivência das ruas entre Cosme e Damião e a Festa da Penha

Por Rafael Mattoso Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 27 set 2025, 09h24 - Publicado em 27 set 2025, 08h32
Escadaria Igreja da Penha 1912
Festa da Penha, 1912 (Marc Ferrez/Internet)
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Cartografar é mapear, representar graficamente aquilo que se reconhece como importante na paisagem, num espaço, território ou região. A cartografia é um campo complexo, uma ciência em constante evolução na busca de melhor conhecimento sobre uma área geográfica. Além da representação física, a cartografia é utilizada para ilustrar a realidade social, econômica, histórica e cultural do lugar.
Partimos desta pequena contextualização para afirmarmos que a maior parte da cartografia poética de nossa cidade vem sendo forjada nos subúrbios, principalmente através de sua rica história, suas importantes manifestações culturais e religiosas.
Na procura por conhecer melhor as pluralidades e potencialidades suburbanas, partindo da igreja da Penha em direção aos subúrbios da Leopoldina, convidamos todos para um primeiro encontro de trocas, pesquisa e escrevivências, neste sábado, 27, junto com as celebrações do Dia de Cosme e Damião.
Sabemos que a luta contra o racismo espacial passa obrigatoriamente pelo conhecimento das nossas heranças afrodiaspóricas. Logo, o Sesc Ramos convoca todos a participarem do curso “Cartografias Poéticas da Leopoldina”, buscando assim produzir conhecimento, pertencimento e novas formas de reivindicarmos o devido reconhecimento das múltiplas potencialidades leopoldinenses.
Em 2025 a Igreja da Penha completa 390 anos, desde sua primeira capela edificada em 1635 no alto da pedra. A padroeira segue até hoje abençoando toda a região da Leopoldina.
A partir desse território ancestral, onde nomes como Tia Ciata, Donga, Noel Rosa, Ismael Silva, Cartola, Clementina de Jesus, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Beth Carvalho e muitos mais frequentaram, cantaram e contaram, pretendemos fazer uma imersão literária e cultural para a melhor compreensão de sua História.
A realização dessa atividade, está prevista para ocorrer entre o final do mês de setembro e o início de Dezembro, onde teremos a participação de muitos nomes importantes ministrando aulas, oficinas e visitas guiadas.
Dia 27 de Setembro teremos Rafael Mattoso e Raquel Mascarenhas iniciando a apresentando sobre “Cartografia Poética da Leopoldina”. Em 4 de Outubro Rafael Freitas aborda “O Rio Antes do Rio: nossa influência Tupinambá”, 11 de Outubro é a vez de Rachel Lima contar sobre “Histórias do Recôncavo da Guanabara: engenhos e Igrejas coloniais”. Dando sequência, teremos no dia 18 de Outubro a professora Paula Alves Ribeiro com “Heranças Afrodiaspóricas: entre terreiros e quintais”, Márcio Piñon chega no dia 25 de Outubro para explicar sobre “Os Subúrbios da Leopoldina: cartografia afetiva”. O mês de novembro começa com Luiz Rufino, 1 de Novembro, contando “A Extraordinária Festa da Penha: cruzo entre sabedorias ancestrais”, já no dia 8 de Novembro as “Relíquias Leopoldinenses: roteiros suburbanos”, será apresentado por Gabriel Capella. Em 22 de Novembro Luiz Antônio Simas e Walter Pereira abordam “Os Frutos do Cacique de Ramos”, e para fechar o mês, Teo Cordeiro apresenta no, dia 29, de Novembro “Muitos Carnavais: o Samba da Leopoliana”. O fechamento fica por conta de Carolina Rocha, no dia 6 de Dezembro, ela explica sobre “A Literatura Suburbana: ferramentas para a transformação”.

Cartografias Poéticas
Cartaz Cartografias Poéticas (Sesc/Divulgação)

Como aponta o escritor, professor, historiador e compositor Luiz Antônio Simas: “A festa transformou-se, depois do Carnaval, no maior evento popular do Rio de Janeiro. Os poderosos fizeram de tudo para impedir o furdunço. Em 1904, 1907 e 1912, a prefeitura proibiu rodas de samba na Penha. A rapaziada foi lá, zombou da proibição e fez. Havia ordem de prisão para praticantes da capoeira. O berimbau puxou o toque de São Bento Grande e o povo gingou. A baiana temperou o acarajé, a cerveja gelou e o Rio mostrou que o espaço da civilização da nossa cidade é a rua.
Acho, por tudo isso, que a cidade deveria zelar pelos festejos da Penha, zuelando tambores na ermida. A festa é parte integrante da História carioca. A decadência dos festejos – por uma série de motivos que demandariam inúmeras discussões – é emblemática dos paradoxos de uma cidade que, vez por outra, parece querer negar seus traços culturais mais fecundos.”

É importante destacar que o pároco responsável pela igreja, entre 1879 e 1907, era o padre abolicionista Ricardo da Silva, conhecido por oferecer abrigo e cuidados aos escravos fugidos, fazendo com que a área também fosse identificada como “Quilombo da Penha”.
Vale ressaltar também que foi neste solo suburbano sagrado onde o samba amaxixado “Pelo Telephone“, que seria registrado em 1916 como pioneiro do gênero no Brasil, foi apresentado pela primeira vez ao público, por Donga e e Mauro de Almeida.
Como é bom saber que temos muito pra falar da nossa Leopoldina, seja da própria festa da Penha, ou do Parque Shanghai, dos carnavais nas ruas, dos banhos de mar à fantasia na praia de Ramos… sem esquecer do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Cacique de Ramos, da centenária Fiocruz, do Campus da UFRJ na Ilha do Fundão e de muitas e muitas outras incríveis histórias.

Foto preta e branca da Festa da Penha em 1917
Festa da Penha 1917 (Arquivo Pessoal/Internet)
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