O poder de transformar o intangível em estratégia: Mapa Rio Soft Power
Lançado pela Firjan, o estudo organiza e traduz em números e métricas a influência de 20 municípios do estado sobre o país e o mundo
Você sabia que Nova Iguaçu abriga a primeira pista pública de skate da América Latina? Ou imaginava que a banana produzida em Itaguaí possui sabor único, reflexo de uma combinação entre solo e clima? O que dizer, então, dos últimos botos-cinza, localizados em partes intocáveis da Baía de Guanabara em Guapimirim?
O estado do Rio de Janeiro não é apenas um território onde a economia acontece por meio de setores consolidados como Petróleo e Gás. Por aqui há uma abundância imagética e simbólica capaz de desenvolver os municípios e apoiá-los na construção de suas imagens, ajudando a torná-los mais competitivos economicamente.
Lançado pela Firjan há poucos dias, o Mapa Rio Soft Power é um documento inédito no Brasil que apresenta essas e outras inúmeras curiosidades sobre ativos tangíveis e intangíveis do estado do Rio. Trata-se de um estudo que organiza e traduz em números e métricas aquilo que todo morador sempre observou, mas nunca conseguiu estruturar de forma tão clara: a influência que o Rio de Janeiro exerce sobre o país e sobre o mundo.
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Mas como medir todo esse potencial intangível e traduzir isso em dados e orientações? Resumidamente, a metodologia utiliza como base dados qualiquantitativos (PIB, PIB per Capita, presença da Indústria Criativa e outros) e alguns índices internacionais de Soft Power (como o Global Soft Power Index), agrupando os 20 municípios estudados em quatro Eixos Temáticos (História e Patrimônio, Meio Ambiente, Conhecimento e Urbano) e classificando em três Níveis de Soft Power (em desenvolvimento, consolidado e influente). Para cada município, o estudo apresenta seus ativos e sugere ações para o fortalecimento do seu poder de influência.
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A iniciativa se torna assim referencial conceitual e prático para que gestores e empresas possam explorar as potencialidades locais e transformar a identidade regional, expressa por meio de elementos sociais, culturais, ambientais e patrimoniais, em um diferencial estratégico.
Petrópolis, por exemplo, é conhecido por moradores e turistas por seu patrimônio histórico e cultural. Mas além disso, em razão de contar com instituições como o Serratec e o Supercomputador Santos Dumont no LNCC, se enquadra no eixo conhecimento. As ações de desenvolvimento do território podem acelerar a conexão entre ciência e mercado, promovendo editais e desafios tecnológicos, além, claro, de explorar seu potencial material e histórico. Essa é uma das recomendações que podem fortalecer o seu Soft Power e que dialoga com um potencial que sempre existiu no município.
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Mas as regiões do estado do Rio de Janeiro têm outros inúmeros ativos. Para se ter uma ideia, o Sul fluminense consolida o Soft Power nos eixos de Meio Ambiente e História, com Paraty reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, Angra dos Reis associada à Economia do Mar e Vassouras preservando a memória do ciclo do café. No Norte Fluminense, o eixo do conhecimento e da logística ganha força com o Porto do Açu, em São João da Barra, e com os ativos científicos de Campos dos Goytacazes.
A Região Serrana combina patrimônio, conhecimento e indústria criativa, com Teresópolis sendo influente pelas paisagens emblemáticas da Serra dos Órgãos e ainda Capital Nacional do Lúpulo, com força em pesquisa e tecnologia e Nova Friburgo se destacando pelo legado europeu e pela moda íntima.
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Acreditamos que o Soft Power, pauta citada com uma certa frequência por aqui, é capaz de atrair investimentos, induzir inovação, fortalecer reputação e estimular o empreendedorismo. O estudo contribui para transformar a riqueza intangível do estado em legado tangível para as futuras gerações. O Mapa Rio Soft Power identifica imagem, prestígio e confiança como ativos estratégicos tão valiosos quanto a infraestrutura.
Esse com certeza pode ser um caminho para empresas, governo e sociedade desenvolverem territórios mais conectados, influentes e economicamente diversificados.
Oswaldo Gama Neto e Natany Borges, analista e especialista de projetos especiais da Firjan são coautores desta coluna.





