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Qual foi o bairro mais valorizado no mercado imobiliário do Rio em 2025

Estudo com base em registros da Prefeitura indica desaceleração do mercado, apesar de altas em bairros como Camorim

Por Elisa Torres
19 dez 2025, 13h26 • Atualizado em 19 dez 2025, 13h37
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Mercado imobiliário: estudo revela que houve retração nas vendas e valorização nos preços dos imóveis em 2025 (Internet/Reprodução)
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  • O mercado imobiliário do Rio encerrou 2025 com queda no número de transações e uma alta discreta nos valores dos imóveis. Levantamento da plataforma Loft indica retração nas vendas ao longo do ano, ao mesmo tempo em que o preço dos imóveis avançou. Nesse contexto, alguns bairros destoaram da média e concentraram os principais movimentos de crescimento — com destaque para o Camorim, na Zona Oeste, que liderou a valorização entre as regiões com maior volume de negociações.

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    Segundo especialistas, o desempenho reflete o impacto do ambiente de juros elevados sobre o crédito imobiliário. “Os dados da Loft refletem um movimento observado ao longo de 2025. O mercado passou por uma retração clara, fortemente impactada pela Selic elevada, que encareceu o crédito e reduziu o volume de transações, especialmente no segmento de imóveis usados. A combinação de juros altos e restrição ao financiamento foi determinante para o desempenho do setor”, afirma Renan Lopes, especialista da Smart Leilões. Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, observa: “Ainda assim, o mercado conseguiu mitigar parte dessas dificuldades. Para os imóveis de tíquete menor, programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida vêm garantindo um importante volume de vendas. Já os tíquetes mais altos atendem parte da população que depende menos do financiamento”, analisa Takahashi.

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    De acordo com o estudo, baseado nas transações residenciais registradas no Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da Prefeitura, a cidade deve fechar 2025 com 48445 imóveis vendidos, considerando projeções para novembro e dezembro. O número representa queda de 3% em relação a 2024, interrompendo uma sequência de dois anos consecutivos de alta, embora o volume permaneça acima do patamar registrado até 2023. Já o tíquete médio das transações teve avanço de 1% e chegou a R$ 407,1 mil no ano.

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    Na análise por bairro, o Camorim foi o principal destaque de 2025. Entre as regiões com maior número de transações, foi a que registrou crescimento de 20% nas vendas em relação a 2024 — o maior avanço proporcional da cidade. O movimento também se refletiu nos preços: o tíquete médio no Camorim subiu 28%, passando para R$ 692 000, a maior valorização entre os bairros mais vendidos.

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    Para Takahashi, o desempenho está associado a fatores estruturais. “O Camorim vive um novo ciclo de expansão, impulsionado por melhorias de mobilidade e pelo avanço urbano que começou após os Jogos Olímpicos. Suas áreas verdes, que atraem quem busca um refúgio na capital, e a proximidade com a Barra da Tijuca ajudam a explicar por que o bairro se consolidou como um dos novos vetores de demanda imobiliária na cidade”, diz.

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    Outro bairro tradicional que avançou em 2025 foi Copacabana. O número de transações cresceu 10% no ano, enquanto o tíquete médio teve alta de 6%, chegando a R$ 773,8 mil. Barra da Tijuca e Taquara também apresentaram crescimento no volume de vendas, ambos com alta de 9%. No caso da Barra, os preços médios avançaram 12%, alcançando R$ 1,72 milhão.

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    Em sentido oposto, algumas áreas da cidade registraram retração. Campo Grande teve queda de 14% no número de transações em 2025, apesar de alta de 7% no tíquete médio. Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá recuaram 2% em volume de vendas, com preços praticamente estáveis. Ipanema também apresentou redução nas transações (-7%), embora o valor médio dos imóveis tenha se mantido em patamar elevado, acima de R$ 2,26 milhões.

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    Segundo Renan Lopes, a escassez de recursos para financiamento ao longo do ano levou os bancos a adotarem critérios mais rígidos. “Houve redução da cota financiável, aumento da exigência de entrada e limites mais restritivos, o que acabou excluindo parte dos compradores. No fim do ano, porém, esse cenário começou a se reverter, com a ampliação do crédito e medidas do governo, trazendo uma perspectiva mais positiva de retomada das vendas em 2026”, avalia.

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    O levantamento da Loft utiliza exclusivamente dados oficiais do ITBI, que reúne informações de preço e área dos imóveis vendidos na cidade. O banco de dados passa por tratamento para eliminação de duplicidades e inconsistências, e os números finais de 2025 incluem projeções para os dois últimos meses do ano.

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    Mesmo com a leve queda no volume geral de vendas, os dados indicam que a dinâmica do mercado imobiliário carioca segue marcada por fortes diferenças entre os bairros — e que, em 2025, foi o Camorim quem se destacou como o mais valorizado entre aqueles com maior número de transações.

     

     

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