Qual foi o bairro mais valorizado no mercado imobiliário do Rio em 2025
Estudo com base em registros da Prefeitura indica desaceleração do mercado, apesar de altas em bairros como Camorim
O mercado imobiliário do Rio encerrou 2025 com queda no número de transações e uma alta discreta nos valores dos imóveis. Levantamento da plataforma Loft indica retração nas vendas ao longo do ano, ao mesmo tempo em que o preço dos imóveis avançou. Nesse contexto, alguns bairros destoaram da média e concentraram os principais movimentos de crescimento — com destaque para o Camorim, na Zona Oeste, que liderou a valorização entre as regiões com maior volume de negociações.
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Segundo especialistas, o desempenho reflete o impacto do ambiente de juros elevados sobre o crédito imobiliário. “Os dados da Loft refletem um movimento observado ao longo de 2025. O mercado passou por uma retração clara, fortemente impactada pela Selic elevada, que encareceu o crédito e reduziu o volume de transações, especialmente no segmento de imóveis usados. A combinação de juros altos e restrição ao financiamento foi determinante para o desempenho do setor”, afirma Renan Lopes, especialista da Smart Leilões. Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, observa: “Ainda assim, o mercado conseguiu mitigar parte dessas dificuldades. Para os imóveis de tíquete menor, programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida vêm garantindo um importante volume de vendas. Já os tíquetes mais altos atendem parte da população que depende menos do financiamento”, analisa Takahashi.
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De acordo com o estudo, baseado nas transações residenciais registradas no Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) da Prefeitura, a cidade deve fechar 2025 com 48445 imóveis vendidos, considerando projeções para novembro e dezembro. O número representa queda de 3% em relação a 2024, interrompendo uma sequência de dois anos consecutivos de alta, embora o volume permaneça acima do patamar registrado até 2023. Já o tíquete médio das transações teve avanço de 1% e chegou a R$ 407,1 mil no ano.
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Na análise por bairro, o Camorim foi o principal destaque de 2025. Entre as regiões com maior número de transações, foi a que registrou crescimento de 20% nas vendas em relação a 2024 — o maior avanço proporcional da cidade. O movimento também se refletiu nos preços: o tíquete médio no Camorim subiu 28%, passando para R$ 692 000, a maior valorização entre os bairros mais vendidos.
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Para Takahashi, o desempenho está associado a fatores estruturais. “O Camorim vive um novo ciclo de expansão, impulsionado por melhorias de mobilidade e pelo avanço urbano que começou após os Jogos Olímpicos. Suas áreas verdes, que atraem quem busca um refúgio na capital, e a proximidade com a Barra da Tijuca ajudam a explicar por que o bairro se consolidou como um dos novos vetores de demanda imobiliária na cidade”, diz.
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Outro bairro tradicional que avançou em 2025 foi Copacabana. O número de transações cresceu 10% no ano, enquanto o tíquete médio teve alta de 6%, chegando a R$ 773,8 mil. Barra da Tijuca e Taquara também apresentaram crescimento no volume de vendas, ambos com alta de 9%. No caso da Barra, os preços médios avançaram 12%, alcançando R$ 1,72 milhão.
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Em sentido oposto, algumas áreas da cidade registraram retração. Campo Grande teve queda de 14% no número de transações em 2025, apesar de alta de 7% no tíquete médio. Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá recuaram 2% em volume de vendas, com preços praticamente estáveis. Ipanema também apresentou redução nas transações (-7%), embora o valor médio dos imóveis tenha se mantido em patamar elevado, acima de R$ 2,26 milhões.
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Segundo Renan Lopes, a escassez de recursos para financiamento ao longo do ano levou os bancos a adotarem critérios mais rígidos. “Houve redução da cota financiável, aumento da exigência de entrada e limites mais restritivos, o que acabou excluindo parte dos compradores. No fim do ano, porém, esse cenário começou a se reverter, com a ampliação do crédito e medidas do governo, trazendo uma perspectiva mais positiva de retomada das vendas em 2026”, avalia.
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O levantamento da Loft utiliza exclusivamente dados oficiais do ITBI, que reúne informações de preço e área dos imóveis vendidos na cidade. O banco de dados passa por tratamento para eliminação de duplicidades e inconsistências, e os números finais de 2025 incluem projeções para os dois últimos meses do ano.
Mesmo com a leve queda no volume geral de vendas, os dados indicam que a dinâmica do mercado imobiliário carioca segue marcada por fortes diferenças entre os bairros — e que, em 2025, foi o Camorim quem se destacou como o mais valorizado entre aqueles com maior número de transações.





