O mundo de olho no Rio: cidade vive seu melhor momento no turismo
Eventos globais, novos investimentos e um afluxo de visitantes como há muito não se via põem a capital em momento áureo — e o melhor ainda está por vir
O Rio de Janeiro continua lindo. E o mundo sabe disso e quer conferir in loco. Depois de décadas de altos e baixos, o turismo move como nunca as engrenagens da economia carioca. Antes mesmo do fim de 2025, pela primeira vez na história, a cidade contabilizou a chegada de 2 milhões de visitantes estrangeiros em um ano – superando o glorioso 2016, aquele da Olimpíada. Em relação ao mesmo período de 2024, o salto é impressionante: 36,4%. E segue como o destino preferido dos estrangeiros no Brasil (que ao todo recebeu 9 milhões de visitantes de fora), como mostra o “turistômetro” instalado pela Embratur no calçadão de Copacabana.
“O crescimento expressivo está atrelado a um estruturado calendário de eventos, à participação em atividades de promoção turística em vinte polos globais, entre os quais Nova York, Paris e Dubai, e também à recuperação do Galeão”, observa o secretário estadual de Turismo, Gustavo Tutuca. Segundo ele, os grandes espetáculos, a exemplo do réveillon, do Carnaval e de um megashow como o de Lady Gaga nas areias da Princesinha do Mar, contribuem de forma decisiva para ensejar o desejo de desembarcar nestas praias.
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Ao longo do ano, o Aeroporto Internacional Tom Jobim inaugurou cinco rotas ó para Córdoba, Mendoza e Rosário, na Argentina, Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Toronto, no Canadá. A concessionária RioGaleão afirma que fechará 2025 conectando o Rio a 1 000 cidades, e a previsão é alcançar os 17 milhões de passageiros ainda em dezembro, um avanço de 25% na comparação com 2024. “A perspectiva é manter a curva ascendente e receber 10% a mais de estrangeiros em 2026”, diz Tutuca. A retomada da malha aérea, somada a uma política consistente de atração de eventos de alta projeção, ajudou a reduzir a histórica sazonalidade do turismo carioca, mantendo a cidade em evidência de janeiro a dezembro.
No que depender da festa de réveillon, a meta do secretário será batida com folga. São ao todo setenta atrações (dez a mais do que na última virada), distribuídas por treze palcos, de Madureira a Paquetá. Três deles já estão sendo montados em Copacabana. O principal, em frente ao icônico Copacabana Palace, terá Gilberto Gil com participação de Ney Matogrosso, Belo, Alcione, Alok e João Gomes, que receberá Iza. “Trazer o forró a essa festa gigante é fazer o Nordeste brilhar. Sinto que a minha história e o meu povo vão virar o ano comigo”, aposta Gomes, o fenômeno do piseiro. “Cantar no réveillon do Rio é tudo o que um artista pode querer, e ainda coroa um excelente momento para a minha carreira”, festeja Roberta Sá, que se apresenta no Palco Samba, na altura da Rua República do Peru.
O principal espetáculo, preparem-se, virá dos céus, com direito a doze minutos de exibição pirotécnica, embalada por cerca de 14 toneladas de explosivos, 20% a mais do que no ano passado. Os fogos virão de dezenove balsas, quase o dobro das costumeiras dez, a fim de diluir a fumaça. “Os fogos vão formar as ondas do calçadão, e a música casará perfeitamente com o movimento, dando a impressão de uma dança no céu”, adianta Nelson Adão, sócio e diretor de projetos e novos negócios da SRCom, que produz a festa.
Já nas primeiras horas de 2026, o DJ Alok orquestrará 1 200 drones, um recorde latino-americano que tem tudo para dar novas feições ao show. “É um sistema complexo, sincronizando música e efeitos especiais, tudo milimetricamente calculado e sem espaço para improviso”, esclarece Alok. A ideia partiu do vice-presidente de criação da SRCom, Abel Gomes, que viu algo parecido em países árabes. “Um grande rosto será formado e, através de inteligência artificial, falará frases em homenagem ao Rio”, entrega Abel. Na segurança, de acordo com a Polícia Militar, o número de agentes envolvidos será maior do que os 3 300 na ativa em 2024, e haverá dezessete pontos de bloqueio para revista e reconhecimento facial. “Esperamos receber mais de 5 milhões de pessoas e uma injeção superior a 3 bilhões de reais na economia”, calcula Bernardo Fellows, presidente da Riotur.
O turismo é hoje o pilar econômico da cidade, fazendo o caixa girar e gerando empregos em áreas diversas. Segundo a prefeitura, a turma que esteve por aqui em 2025 movimentou 24,5 bilhões de reais. “Os viajantes buscam um encontro íntimo com o estilo de vida do Rio e encontram aqui uma enorme diversidade, capaz de unir beleza natural a eventos e atividades culturais”, explica Netto Moreira, general manager do hotel Fairmont.
O perfil do visitante mudou, para melhor: hoje ele permanece mais tempo, gasta mais e procura experiências que vão além dos cartões-postais, como gastronomia autoral, programação cultural que escape ao roteiro tradicional e esportes ao ar livre. “Vamos fechar o ano com média de ocupação anual acima dos 70%. Estamos agora estudando uma forma de trazer voos diretos da China para o Rio, um importante mercado para a América do Sul, o que representaria uma virada de chave”, avalia Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO, sindicato dos meios de hospedagem.
E vem muita novidade por aí também no ramo hoteleiro. O Tryst Hospitality, focado no público LGBTQIA+, abre as portas em Ipanema, e a reforma do Sofitel, no mesmo bairro, iniciada em 2023 pela AccorInvest, em breve terminará. A rede americana Four Seasons já avisou que vai aportar no Leblon em 2029, no prédio que pertenceu ao Hotel Marina, com 118 quartos com vista para o mar, como anunciou Bill Gates, o fundador da Microsoft, controlador da rede. Até 2030, o estado receberá de duas a quatro unidades da BWH Hotels, que detém a Best Western.
“No Fairmont, implementamos treinamentos intensivos para oferecer atendimento com padrões internacionais. Tornou-se confortável investir na área”, avalia Moreira, à frente da reabertura do Sofitel. Se 2025 foi o ano da retomada definitiva, 2026 desponta no horizonte como o de consolidação e expansão. A bem-sucedida estratégia para atrair mais turistas vai de apresen-tações musicais grandiosas a atividades científicas, passando por competições esportivas que se aproveitam da maravilha de cenário.
Shows gratuitos como os de Lady Gaga e Madonna; o Carnaval, agora com três dias de desfiles do Grupo Especial; feiras como o Web Summit e o Rio Innovation Week, isso para não falar das reuniões de cúpula do G20 e do Brics, reforçam a imagem de uma dinâmica capital cultural conectada ao mundo. Segundo levantamento da Riotur, o Rio contou neste ano com 4 000 eventos, gerando impacto econômico superior a 9 bilhões de reais em áreas como hotelaria, transporte, alimentação e comércio.
A vinda de outros pesos-pesados do showbiz internacional, como Jason Mraz e Bryan Adams, o recorde de inscrições na Maratona do Rio, a próxima edição do Rock in Rio e a chegada dos jogos da NFL (ufa!) dão pistas de que 2026 será o mais profícuo ano da década para o turismo (veja abaixo a lista dos principais eventos que estão por vir). “Teremos um calendário ainda mais robusto e diversificado, mantendo o Rio em evidência ao longo de todos os meses”, afirma Bernardo Fellows. “A cidade caminha para ser a capital do turismo e do entretenimento na América Latina, além de reforçar o protagonismo em causas sociais e culturais globais”, arremata.
O novo status carioca já começa a se refletir também no olhar internacional mais qualificado – aquele que dita tendências de viagem. Publicada em outubro, a lista Best of the World 2026, da revista National Geographic, destacou o Rio de Janeiro como um dos melhores lugares para se visitar no ano que se avizinha, ao lado de destinos como Quebec, no Canadá, Yamagata, no Japão, e Manila, nas Filipinas. A publicação chama a atenção para a reabertura temporária do Museu Nacional (a inauguração definitiva está prevista para 2028) e a exposição do fotógrafo Vicente de Mello no Museu Nacional de Belas Artes, que retomará as atividades por completo no segundo semestre.
O restaurante Lasai, dono de duas concorridas estrelas Michelin, também é citado, assim como a próxima edição do Todo Mundo no Rio, que poderá ter Beyoncé como atração maior. “O nome está guardado a sete chaves. O que posso adiantar é que será um artista de longo alcance, com forte ligação com o público brasileiro. A ideia é surpreender”, despista Fellows. Entre shows, ciência, esporte, diversão e arte, o Rio reafirma sua vocação de ser objeto de desejo. Para quem vem curtir a cidade em 2026 – e venham -, aquele abraço.
Grande fase
Os números do turismo impressionam
2 milhões de turistas estrangeiros em 2025
36,4% é o aumento em relação ao ano passado
24,5 bilhões de reais movimentados pelo setor neste ano
70% foi a média de ocupação hoteleira do ano
4 000 eventos legalizados ao longo do ano
1 000 cidades conectadas através do Rio Galeão
70 atrações musicais em 13 palcos no Réveillon
Calendário recheado
Os principais eventos previsto para 2026
Janeiro:
12 a 27: Universo Spanta, na Marina da Glória, com shows de Ivete Sangalo, Ana Castela, BaianaSystem, BK’, entre outros.
23 a 25: Rio Bossa Nossa, na Praia de Ipanema, com apresentações gratuitas de Leo Jaime, Maria Gadú e Seu Jorge, por exemplo.
Fevereiro:
13 a 21: Desfiles da Série Ouro e do Grupo Especial do Carnaval, na Marquês de Sapucaí.
14 a 22: Rio Open, no Jockey Club, na Gávea.
Março:
6: Show de Bryan Adams, no Qualistage, na Barra, parte da turnê Roll With the Punches, e de Jason Mraz, no Vivo Rio, no Parque do Flamengo, A Return to South America Tour
18: Primeira edição do Golden Globes Tribute Awards, no Copacabana Palace, Copacabana.
Abril:
15 a 18: A cidade volta ao cenário da moda com a Rio Fashion Week, no Pier Mauá.
25 a 3 de maio: Abrindo o calendário náutico da cidade, o Rio Boat Show acontecerá na Marina da Glória.
26: The Weeknd estende a turnê After Hours Till Dawn e toca no Estádio Nilton Santos, com abertura de Anitta.
Maio:
Todo Mundo no Rio, com show de uma estrela internacional, com data e atração a serem divulgados.
16: Referência mundial no cenário pop rock dos anos 1980, a banda Men at Work se apresenta no Qualistage.
26 a 31: O Rio2C, maior evento de criatividade e inovação da América Latina, será na Cidade das Artes, na Barra.
Junho:
4 a 7: A Maratona do Rio, uma das maiores corridas de rua do mundo, terá a largada de diferentes pontos e chegada no Aterro do Flamengo.
12 a 20: A etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe, WSL, terá como cenário a Praia de Itaúna, em Saquarema.
8 a 11: A edição latino-americana da maior conferência de tecnologia do mundo, Web Summit Rio, acontece no Riocentro.
Julho:
O Festival de Inverno aquece as noites na Marina da Glória, mas as datas ainda não foram definidas.
Agosto:
4 a 7: Com tecnologia e inovação, o Rio Innovation Week atrairá o público ao Pier Mauá.
Setembro:
4 a 13: Ao longo de 7 dias, o Rock in Rio trará atrações como Elton John e Stray Kids, na Cidade do Rock, no Parque Olímpico.
16 a 20: A 16ª edição da ArtRio, a maior feira de arte da América Latina, ocupará a Marina da Glória.
Outubro:
O Festival do Rio, principal festival de cinema da América Latina costuma acontecer neste mês, mas ainda não há informações sobre o período de 2026.
Vem coisa boa por aí
Museus renovados, a volta do Canecão e até parque de diversão estão previstos
Depois de seis anos fechado, o Museu da Imagem e do Som (MIS) está em fase de finalização da construção e a inauguração deve acontecer em 2026.
O Museu Nacional de Belas Artes, na Cinelândia, está funcionando parcialmente desde setembro, após cinco anos fechado, e a reabertura total está prevista para o final de 2026, prazo do término da reforma.
Tradicional casa de espetáculos, o Canecão, em Botafogo, foi demolido e dará lugar a um novo complexo cultural, com previsão de abertura em 2026.
Com investimento de 150 milhões de reais, o Wonderland Park, com temática de neve, está previsto para dezembro de 2026, e a localização ainda é um mistério: na Barra ou na Zona Sul.
O Autódromo do Rio de Janeiro está sendo revitalizado para receber disputas da Fórmula-1 e do MotoGP. As obras devem começar em 2026 e a conclusão está prevista para 2028.
Na temporada de 2026, o Maracanã receberá o seu primeiro jogo de futebol americano da NFL e, até 2030, o Rio receberá entre três e cinco jogos da modalidade.





