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Um dos últimos cinemas de rua da cidade, Estação Net Rio pode fechar

Intenção do Grupo Severiano Ribeiro, proprietário do espaço, seria dar lugar a um prédio. Na internet, frequentadores fazem abaixo-assinado em prol do local

Por Kamille Viola
10 nov 2021, 19h02 •
Foto do foyer e do café do Estação Net Rio, visto de cinema
Estação Net Rio: público se surpreendeu as ver as luzes apagadas e portas fechadas ao fim da sessão (Divulgação/Divulgação)
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  • A notícia da possibilidade de despejo do Estação Net Rio, em Botafogo, um dos últimos cinemas de rua da cidade, causou comoção entre os frequentadores do lugar. À frente do espaço há 25 anos, o grupo Estação recebeu uma intimação do Grupo Severiano Ribeiro (GSR), proprietário do espaço, e pode ter que deixar o local a qualquer momento.

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    Adriana Rattes, diretora-executiva do Circuito Estação Net de Cinema, explica que o impacto do fechamento do lugar pode ser fatal para o grupo. “O cenário que vislumbramos no momento é que, com a perda das receitas desta sala, a demissão forçada de cerca de 20 funcionários, a diminuição drástica do circuito, a possibilidade de cancelamento do contrato com o patrocinador (pois esta sala é emblemática para eles), o Estação terá que decretar sua falência, talvez deixe de existir“, prevê.

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    A decisão diz respeito a uma ação iniciada pelo GSR em dezembro de 2020, alegando que o Circuito Estação Net de Cinema não pagava o aluguel desde março de 2020, quando foi decretado o fechamento de diversos espaços no país devido à pandemia de covid-19. No momento inicial do processo, a dívida do Estação seria de cerca de R$ 860 mil.

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    Antes da pandemia, já havia uma divergência em torno do valor do aluguel. Até então, o Estação pagava R$ 53 mil de aluguel mínimo e ofereceu um novo valor baseado na correção do IGPM, índice indicado no contrato. O GSR considerou o valor defasado e pediu quase R$ 85 mil. “Importante notar que essa quantia diz respeito apenas ao mínimo garantido pago mensalmente, pois o GSR era sócio de nossa receita — recebia 12% da receita de bilheteira e 4% da receita do café, e, se a receita apurada com esses percentuais fosse menor que o mínimo garantido, teríamos que pagar o valor a mais”, diz Adriana Rattes. “Em vários meses por ano — pelo menos em janeiro, fevereiro, às vezes março, julho, meses do Festival do Rio, e também às vezes dezembro, eles recebiam mais do que o mínimo garantido”, completa.

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    O Estação apresentou à justiça um laudo de avaliação da Bolsa de Imóveis do Rio de Janeiro que apontava o valor daquela locação entre R$ 55 e R$ 65 mil. Como não havia acordo, a juíza do caso determinou o pagamento de um aluguel provisório, que o Estação cumpriu até o início da pandemia. “A verdadeira disputa começou porque, a partir disso, o GSR se negou a fazer qualquer acordo para pagar pelos meses em que os cinemas de todo o Brasil estavam fechados, um valor de aluguel menor”, afirma Adriana Rattes. “O administrador do grupo se recusou a falar comigo em agosto de 2020, quando tínhamos, graças ao adiantamento do patrocínio da Net e dos recursos arrecadados na campanha de financiamento coletivo, condições de saldar os meses em atraso por um preço negociado (o que todos os cinemas do Brasil estavam fazendo, inclusive o próprio GSR nas salas Kinoplex). E avisou que, a partir daquele momento, só falariam no processo”, explica. 

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    Surgiram rumores de que o GSR teria a intenção de vender o espaço para uma construtora e transformar o cinema em prédio residencial com lojas no térreo. A diretora-executiva  do Estação conta que, um mês depois, o grupo descobriu que o Severiano Ribeiro havia entrado com uma petição para cancelar o processo de renovatória que dava direito à locação comercial do imóvel, sob alegação de não pagamento do aluguel, com a mesma juíza que havia determinado o aluguel provisório. Ela, então, cancelou o contrato e o direto do Estação renová-lo. “Naquele momento era impossível para nós, termos caixa suficiente para pagar os alugueis atrasados pelo valor cheio, com multas e juros. Reitero que nenhuma empresa cinematográfica, mesmo as maiores, estavam pagando aos seus locadores os valores integrais”, garante Adriana Rattes.

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    O grupo recorreu, mas em dezembro o GSR entrou com uma ação de despejo, pedindo um valor de R$ 1 milhão. Na semana passada, veio a notícia de que o Estação teria que deixar o local.  “Estamos agora vivendo uma situação paradoxal. Embora ainda estejamos tentando todas as medidas judiciais cabíveis para impedir ou adiar este despejo – para insistirmos novamente em uma negociação com o GSR – poderemos ser forçados a desocupar o imóvel. Por outro lado, como o processo de cancelamento da renovatória ainda corre na segunda instância do Tribunal de Justiça, se ganharmos lá, estaremos diante do absurdo de reaver os direitos a locação e reocupação de um imóvel que já terá sido demolido”, lamenta a diretora-executiva do Estação.

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    Na internet, um abaixo-assinado pedindo a permanência do Estação Net Rio no endereço já estava com quase 5 mil assinaturas. Com público fiel, o espaço chegou a arrecadar R$ 736,9 mil por meio de uma vaquinha para pagar funcionários e arcar com a operação básica do cinema. O Estação afirma que ainda tem esperança de chegar a um acordo e continuar ocupando o local e que a última proposta, há cerca de três semanas, foi pagar o valor integral dos alugueis atrasados. “Agora temos uma boa parte dos recursos pela linha emergencial de crédito do Fundo Setorial, e o que falta podemos conseguir através do apoio da Net e de um novo financiamento coletivo. Não achamos justo nos cobrarem o valor integral, e essa não foi a praxe do mercado exibidor durante toda a pandemia, mas estamos dispostos a esse enorme desafio para manter o Estação Net Rio”, frisa Adriana Rattes.

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    Em nota ao Globo, o Grupo Severiano Ribeiro, através do seu Diretor de Patrimônio, Maurício Benchimol, informou que deu ao Grupo Estação todas as chances de quitar seus compromissos. “Os valores devidos de aluguel e IPTU já não são pagos desde março de 2020. O valor do aluguel, que já foi anteriormente determinado via decisão judicial, não vem sendo pago desde então. Entendemos que toda a indústria de cinema foi afetada pela pandemia, inclusive o próprio grupo Severiano Ribeiro, que teve todos os seus cinemas fechados por cerca de 8 meses, mas infelizmente a situação de inadimplência do grupo Estação se tornou incontornável.”

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